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Vibe coding ou engenharia agêntica: onde termina o protótipo

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Vibe coding é programar com IA sem revisar o código que ela escreve: você pede, aceita e só confere se parece funcionar. Na engenharia agêntica (agentic engineering), agentes de código também escrevem a maior parte do código, mas uma pessoa escreve a especificação, define os limites, lê o que vai para produção e sabe explicar o que entrou, com testes e cada sessão registrada. O vibe coding serve para protótipo. A engenharia agêntica, para software de que outras pessoas dependem.

De onde vêm os dois nomes

Andrej Karpathy batizou o vibe coding num post no X em fevereiro de 2025: aceitar tudo o que o modelo sugere, sem ler as mudanças, e esquecer que o código existe. Ele mesmo escreveu que, para projetos descartáveis de fim de semana, até que não era ruim. Semanas depois, Simon Willison definiu o termo de forma mais estreita: construir software com IA sem revisar o código que ela escreve. Um ano depois do primeiro post, Karpathy contou que muita gente tinha tentado achar um nome melhor para a versão profissional, com mais supervisão e escrutínio, e que o favorito dele, no momento, era agentic engineering.

Lado a lado

Vibe codingEngenharia agêntica
Quem lê o códigoNinguém, por definiçãoUma pessoa que responde pelo resultado, antes de ir para produção
Como se sabe que funcionaParece funcionar quando se testa na mãoTestes automatizados e conferência dos casos de borda
O que fica depoisO códigoCódigo, testes, especificação e o registro de cada sessão
Custo de um erroBaixo, por escolhaReal: cliente, dinheiro, dado regulado
Onde cabeProtótipo, demonstração, ferramenta pessoalSistema em produção, legado, qualquer coisa de que outras pessoas dependam

O lugar do protótipo

Para testar uma ideia numa tarde, mostrar uma tela clicável para a diretoria ou escrever um script que roda uma vez, o vibe coding é rápido e barato. O próprio Willison recomenda, com alguns filtros: o projeto precisa ser de baixo risco, e todo cuidado é pouco com senha ou chave de acesso, dado pessoal e serviço cobrado por uso, em que uma integração sem limite de cobrança pode gerar milhares de dólares na fatura. Na nossa leitura, o protótipo feito assim rende mais como especificação do que vai ser construído depois.

O que a produção pede

Três coisas que o vibe coding, por definição, deixa de fora:

  • Leitura humana. Alguém do time lê o que vai para produção e sabe explicar o que entrou. O agente não responde pela mudança; uma pessoa responde. Como conferir se quem aprova sabe explicar a mudança está em só aprove o que você sabe explicar.
  • Testes. "Funcionou aqui" dito por um agente não prova nada. Em sistema que já existe, os primeiros testes são os que fixam o que ele faz hoje, os testes de caracterização.
  • Registro da sessão. O diff mostra o resultado, não o caminho. O registro guarda pedido, passos, modelo, custo, resultado e autoria. Meses depois, ainda dá para saber quem decidiu o quê. Detalhes em Observabilidade de agentes de código.

Onde entra o nível 4

Na nossa leitura, a engenharia agêntica ocupa os níveis 3 e 4 da escala de autonomia de Dan Shapiro: no 3, a pessoa passa o dia revisando o código da IA; no 4, escreve e discute a especificação e volta depois para conferir se os testes passaram. A Ithaca opera a plataforma de desenvolvimento agentic no nível 4, com uma regra própria: agentes de código executam, pessoas do time leem o que vai para produção, e cada sessão fica registrada. Ler antes da produção é regra da Ithaca, não parte da definição de Shapiro. A escala completa está em Níveis de autonomia de agentes de código.

Quando usar cada um

  • Vibe coding: o código vai para o lixo ou só você vai usar; não há senha, dado pessoal nem cobrança por uso; um erro custa uma tarde.
  • Engenharia agêntica: outras pessoas dependem do software; ele mexe com dado de cliente, pagamento, saúde ou auditoria; outra pessoa vai ter que manter; o sistema já está em produção.
  • Do protótipo para a produção: escreva o que ele faz, transforme isso em testes, reconstrua com agentes de código sob revisão e registre cada sessão desde a primeira.

Uma comparação mais longa, em inglês, está em Agentic engineering vs. vibe coding.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre vibe coding e engenharia agêntica?

Nos dois, a IA escreve a maior parte do código. No vibe coding, ninguém revisa: se parece funcionar, fica. Na engenharia agêntica, uma pessoa escreve a especificação, lê o que vai para produção e sabe explicar o que entrou, com testes e cada sessão registrada.

Vibe coding é ruim?

Não. Simon Willison, autor da definição usada aqui, recomenda o vibe coding para projetos de baixo risco e protótipos. O problema começa quando o software guarda senha ou dado pessoal, custa dinheiro quando erra, ou quando outras pessoas passam a depender dele sem que ninguém tenha lido o código.

Dá para levar um protótipo feito com vibe coding para produção?

Do jeito que está, não. Use o protótipo como especificação: descreva o que ele faz, transforme esse comportamento em testes e reconstrua com agentes de código, com uma pessoa lendo o que vai para produção e cada sessão registrada.

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Veja a plataforma de desenvolvimento agentic funcionando no nível 4, como ela entra lado a lado com o seu time: agentes de código executam, o seu time supervisiona e lê o que vai para produção, e cada sessão fica registrada.

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