Níveis de autonomia de agentes de código: o que muda do nível 0 ao 5

Os níveis de autonomia de agentes de código formam uma escala de 0 a 5, proposta por Dan Shapiro em janeiro de 2026, que descreve quanto do trabalho de programar sai da mão da pessoa e passa para a IA. No nível 0, nas palavras dele, nenhum caractere é gravado em disco sem a sua aprovação. No nível 5, que ele chama de dark factory, o processo vira uma caixa-preta que transforma especificação em software. A Ithaca opera no nível 4, com uma regra que é dela: agentes de código executam, pessoas do time leem o que vai para produção, e cada sessão fica registrada.

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Autonomia do agente não é maturidade da organização diante do legado; para o segundo eixo, veja maturidade em modernização de legado.

Para quem é esta página

Para o CTO e o head de engenharia que precisam dizer onde o time está hoje no uso de IA e até onde faz sentido ir. A escala dá um vocabulário comum para essa conversa, inclusive com as áreas de risco e de compliance.

De onde vem a escala

Dan Shapiro, CEO da Glowforge e research fellow da Wharton, descreveu os níveis no post "The Five Levels: from Spicy Autocomplete to the Dark Factory", de 23 de janeiro de 2026. Ele conta que viu dezenas de empresas tentando pôr a IA para escrever código, e que todas passaram pelos mesmos cinco estágios de automação.

A inspiração veio dos níveis de automação na direção de veículos. Como naquela escala, a contagem começa no zero: são cinco níveis e seis degraus. Cinco dias depois, Simon Willison resumiu a escala no blog dele, e outros textos sobre agentes de código passaram a citá-la.

A escala em uma tabela

Os seis degraus da escala de Dan Shapiro. Os nomes dos níveis vêm do post.
NívelNome no postA comparação de Shapiro com o carroO que a pessoa faz, na descrição de Shapiro
0Spicy autocompleteO Volvo dos seus paisEscreve todo o código. A IA serve de busca turbinada ou de sugestão aceita com tab
1Coding internAssistente de faixa e controle de velocidadeEscreve o que importa e repassa tarefas pontuais, como um teste ou uma docstring
2Junior developerO Autopilot na estradaTrabalha em par com a IA, numa ferramenta de código feita para IA
3DeveloperUm Waymo com motorista de segurançaRevisa o código que a IA escreve, o dia inteiro
4Engineering teamUm robotáxi: enquanto ele dirige, você faz outra coisaEscreve e discute a especificação, planeja e revisa planos, e volta horas depois para ver se os testes passaram
5Dark factoryJá não é um carroEntrega a especificação. O processo é uma caixa-preta

A cada degrau, mais um pedaço do trabalho sai da mão da pessoa. Do nível 3 em diante, a questão que mais pesa para uma empresa é quem lê o código antes de ele entrar em produção.

Cada nível, na prática

Nível 0: spicy autocomplete

Seja no vi ou no Visual Studio, nada é gravado sem a aprovação de quem programa. A IA pode aparecer como uma busca turbinada ou como uma sugestão aceita com tab de vez em quando, mas o código, nas palavras de Shapiro, é inequivocamente seu.

Nível 1: coding intern

Shapiro compara a IA a um estagiário. A pessoa continua escrevendo o que importa e repassa tarefas pontuais: "escreva um teste unitário para isto", "adicione uma docstring". Pode ser o ChatGPT com copiar e colar ou o Copilot. Já há ganho, mas o trabalho não muda e segue no ritmo de quem digita.

Nível 2: junior developer

A IA vira um colega júnior para quem a pessoa passa todo o trabalho chato, dentro de uma ferramenta de código feita para IA, e não mais num chat. Shapiro diz que é aqui que vivem 90% dos desenvolvedores que se dizem AI-native. E deixa um alerta: a partir do nível 2, cada degrau dá a sensação de que o trabalho está pronto, e ele não está.

Nível 3: developer

O papel de desenvolvedor sênior passa para a IA e a pessoa vira gestora do que ela produz. O agente roda em várias abas ao mesmo tempo e o dia passa em revisão de diff. É aqui que Shapiro põe o humano no circuito (human in the loop). Para muita gente, escreve ele, parece que as coisas pioraram, e quase todo mundo para neste degrau.

Nível 4: engineering team

A pessoa vira PM (no rodapé, Shapiro deixa em aberto se de programa, de projeto ou de produto). Escreve a especificação, discute com o agente sobre ela, monta as skills que ele usa, planeja cronogramas e revisa planos. Depois, na descrição de Shapiro, sai por 12 horas e volta para ver se os testes passaram. Na ilustração do post, a IA roda sozinha por longos períodos, e a pessoa confia nas checagens do próprio sistema e só confere o resultado final muito depois. Shapiro se coloca neste nível.

Nível 5: dark factory

Já não é um processo de software, escreve Shapiro, e sim uma caixa-preta que transforma especificação em software. Na ilustração, a pessoa cuida dos objetivos e do sistema, não do código. O nome vem da dark factory da Fanuc, uma fábrica de robôs operada por robôs, escura porque ali gente não é necessária nem bem-vinda. Shapiro diz que conhece um punhado de pessoas trabalhando assim, em times pequenos, de menos de cinco pessoas, e que isso provavelmente é o futuro.

Do nível 3 para o 4: a leitura muda de lugar

No nível 3, a pessoa revisa tudo, o tempo todo. A dificuldade é antiga. Em "Ironies of Automation" (1983), Lisanne Bainbridge, da University College London, lembrou que, segundo os estudos de vigilância, nem uma pessoa muito motivada mantém atenção visual eficaz, por mais de cerca de meia hora, numa fonte em que quase nada acontece. O artigo trata de plantas industriais e de cabines de avião; a comparação com quem revisa a saída de um agente é nossa.

No nível 4, a pergunta deixa de ser o que a pessoa vigia e passa a ser onde ela decide. Na plataforma da Ithaca, o controle fica em três pontos:

  • Antes do código. O time escreve a especificação e define o limite de autonomia: o que os agentes fazem sem aprovação prévia e o que exige aprovação humana antes de executar.
  • Na entrada em produção. Pessoas do time leem o que vai para produção antes de entrar, em vez de acompanhar cada passo enquanto ele acontece.
  • No registro de cada sessão. O registro guarda pedido, passos, modelo, custo, resultado e autoria. Quem revisa parte do que o agente fez, e não só do diff final.

Como esses três pontos se distribuem pelas etapas de uma mudança, da especificação ao deploy, está em esteira de desenvolvimento com IA.

Como um time que tem agentes escrevendo a maior parte do código organiza a revisão, e onde a regra da Ithaca difere, está em code review com IA.

Por que a Ithaca opera no nível 4

A Ithaca opera uma plataforma de desenvolvimento agentic no nível 4 da escala proposta por Dan Shapiro. Na descrição dele, o nível 4 é o degrau da especificação. O texto do post não diz quem lê o código nesse nível, e a ilustração mostra a pessoa conferindo o resultado final muito depois, confiando nas checagens do sistema. A prática da Ithaca acrescenta uma regra: agentes de código executam, pessoas do time leem o que vai para produção, e cada sessão fica registrada, com autoria.

Os motivos são práticos:

  • Alguém precisa responder pelo código. Em empresa grande, o comitê de risco pergunta quem decide o que os agentes fazem, o que fica registrado de cada sessão e quem lê o código antes de ele entrar em produção. Sem resposta para as três, a conversa sobre velocidade não avança. O checklist está em Governança de IA no desenvolvimento de software.
  • Código lido continua sustentável. Quando alguma coisa quebra às três da manhã, o estrago depende de quanto tempo leva para achar a causa. O que cada sessão registra está em Observabilidade de agentes de código.
  • O ganho de execução fica. Os agentes de código assumem a execução que não precisa de gente; o time concentra o tempo em especificar, revisar e decidir.

O limite não é fixo. O time define o que a plataforma faz sozinha em cada etapa e continua ajustando esse limite depois da implantação. As regras e os limites com que os agentes trabalham são uma disciplina à parte, o harness engineering. A tese completa está em Desenvolvimento de software com IA e supervisão humana.

Por que o nível 5 não é a meta

O nível 5 existe, e há times trabalhando assim. Simon Willison, que conversou com um deles, descreveu os traços principais: ninguém revisa o código que a IA produz, e boa parte do trabalho dos agentes vai para testes, ferramentas e simulação dos sistemas de que o software depende. As pessoas desenham esse sistema, em vez de ler o código.

Para a Ithaca, o nível 5 não é a meta, por três motivos.

  • Quando quebra, alguém precisa entender o código. Em julho de 2025, Dex Horthy pôs o modelo para escrever o código e deixou o time fora da revisão. Quatro meses depois, desligaram tudo e jogaram o sistema fora. A produção caiu, o modelo não achava a causa raiz, e foram dias até aparecer uma chave primária roteada errado no sistema inteiro, mais três semanas para reintegrar engenheiros a um código que ninguém tinha lido. Uma pergunta para conferir, antes de aprovar, se alguém do time sabe explicar o código está em só aprove o que você sabe explicar.
  • Quem só observa perde a mão. Bainbridge já apontava que habilidades manuais se deterioram quando não são usadas, e que um operador experiente que passou a só monitorar um processo automatizado pode ter virado um inexperiente. Num sistema que ninguém lê, ninguém está pronto para assumir. A aplicação ao software, de novo, é leitura nossa.
  • Empresa grande precisa de autor identificável. Sistemas com anos de regras de negócio, dados regulados e auditoria pedem, para cada mudança, quem pediu, quem supervisionou e quem aprovou a entrada em produção.

Nada disso é uma previsão sobre o nível 5. É a posição em que a plataforma opera hoje. O argumento completo está em O que é uma dark factory, e por que a plataforma não é uma delas.

Como saber em que nível o seu time está

Três perguntas resolvem a maior parte dos casos:

  1. Quem escreve a maior parte do código que vai para produção? Se é a pessoa, o time está entre os níveis 0 e 2. Se é a IA, está no 3 ou acima.
  2. Em que a pessoa passa o dia? Revisando diff, é o nível 3. Escrevendo e discutindo especificação e conferindo resultado, é o nível 4.
  3. Alguém lê o que vai para produção? Se a resposta é não, por desenho, é o nível 5.

Uma quarta pergunta não está na escala, mas decide se dá para subir de degrau com controle: o que fica registrado de cada sessão?

Se a dúvida já é que tipo de solução contratar, a comparação com perguntas para levar ao fornecedor está em copiloto, fábrica de software com IA ou plataforma agentic.

Prova da plataforma: Dr. Consulta

A Dr. Consulta modernizou seu sistema de assinaturas, com oito anos em produção, usando a plataforma de desenvolvimento agentic, com o próprio time supervisionando. Em relação ao período anterior à modernização, o custo de infraestrutura ficou 75% menor, e uma feature representativa, que levava duas semanas, passou a levar até três dias. É um exemplo, não uma medição do backlog inteiro. Ver o caso Dr. Consulta

Perguntas frequentes

O que são os níveis de autonomia de agentes de código?

São seis degraus, de 0 a 5, que descrevem quanto do trabalho de programar passa da pessoa para a IA. A escala foi proposta por Dan Shapiro em janeiro de 2026, inspirada nos níveis de automação na direção de veículos. Vai do nível 0, em que nada é gravado sem aprovação de quem programa, ao nível 5, a dark factory, em que o processo vira uma caixa-preta que transforma especificação em software.

Em que nível a Ithaca opera?

No nível 4. Agentes de código executam; o time escreve a especificação, define o limite de autonomia e lê o que vai para produção. Cada sessão fica registrada com pedido, passos, modelo, custo, resultado e autoria. A leitura antes da produção é regra da Ithaca, não parte da definição de Shapiro.

Qual a diferença entre o nível 3 e o nível 4?

Na descrição de Shapiro, no nível 3 a pessoa passa o dia revisando o código que a IA escreve, e no nível 4 ela escreve e discute a especificação e volta depois para ver se os testes passaram. Na plataforma da Ithaca, pessoas do time continuam lendo o que vai para produção no nível 4, com o registro da sessão em mãos.

O que é o nível 5, a dark factory?

Na escala de Shapiro, é o degrau em que o processo vira uma caixa-preta que transforma especificação em software, e ninguém lê o código. Ele diz que conhece um punhado de pessoas trabalhando assim, em times de menos de cinco pessoas. A plataforma da Ithaca para antes dele. Detalhe em dark factory.

A escala é uma norma oficial?

Não. É uma proposta de Dan Shapiro, feita num post de blog. Não é norma nem certificação. Serve para situar a conversa; o limite de autonomia de cada sistema continua sendo decisão do time.

Supervisão humana não anula o ganho de velocidade?

Não precisa anular. Os agentes de código assumem a execução e o time fica com especificação, revisão e decisão. No caso da Dr. Consulta, em relação ao período anterior à modernização, uma feature representativa que levava duas semanas passou a levar até três dias.

Fontes

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