Insights · Code review
Code review com IA: como a Anthropic revisa o código que o Claude escreve, e o que muda no seu PR
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Em 15 de outubro de 2026, o time do Claude Code contou como revisa código num repositório em que, segundo a própria Anthropic, o Claude escreve cerca de 90% do código. Resposta curta: a revisão continua. A maior parte da leitura passou para checagens automáticas, a aprovação humana depende do risco da mudança e uma pessoa responde por tudo que vai para produção.
O texto, How the Claude Code team does code review, saiu no blog de desenvolvedores da Anthropic e gerou centenas de comentários no Hacker News. Números e citações (em traduções nossas) são da própria Anthropic, sobre os próprios repositórios.
O problema é volume
Segundo o post, as mudanças que entram por dia no monorepo da Anthropic passaram de cerca de 2.500 em maio para mais de 30.000 em setembro de 2026. No Claude Code, que tem repositório próprio, os pull requests mergeados mais que dobraram de junho a setembro, e a proporção que precisou ser revertida caiu mais de 40% (o post não dá a taxa inicial). Nesse ritmo, revisar linha por linha fica "incrivelmente difícil, se não impossível".
Para o time, "um humano leu o código?" é um indicador impreciso da pergunta que importa: o que pode dar errado nesta mudança e qual checagem, automática ou humana, pega isso.
Seis camadas, não um portão no fim
- Verificação antes do PR. O agente recebe algo para rodar (testes, build, captura de tela) e mostra a saída, em vez de dizer que terminou.
- Revisão por IA em todo PR. Cada apontamento é corrigido ou fechado com um motivo.
- Revisão de segurança. Apontamento aberto, dela ou da revisão por IA, bloqueia o merge.
- Checagens automáticas (lint, tipos, testes, build) que bloqueiam o merge.
- Aprovação humana por nível de risco.
- Fila de merge, feature flags e liberação gradual, com rollback rápido por baixo.
O nível de risco vem da mudança, não do autor
| Risco | Exemplos do post | Aprovação humana |
|---|---|---|
| Baixo | Documentação, textos, recursos só internos, mudanças aditivas atrás de flag | Nenhuma obrigatória, com revisão automática e de segurança aprovadas |
| Médio | Mudanças comuns de produto e áreas sensíveis (cache, atualizador automático, prompts de sistema) | Uma pessoa |
| Alto | O código de maior risco e um pequeno conjunto de caminhos que sempre exigem duas pessoas | Duas pessoas |
Um classificador lê a mudança e escolhe o nível. Workflows de CI e caminhos que os donos marcam como sensíveis sempre pedem uma pessoa; caminhos leves, só para autores de confiança. Outras regras: aprovação de agente nunca conta como a de uma pessoa; quem direcionou o agente é um dos revisores obrigatórios; e a aprovação vale para um commit: um push do agente, por exemplo, pede nova aprovação.
Onde a pessoa continua decidindo
Na Anthropic, segundo o post, as pessoas deixaram de ler cada diff e ficaram com cinco decisões: se vale construir, código de risco (como cobrança), arquitetura que outros vão copiar, leitura da evidência e o resultado. Nas palavras do post, "uma pessoa responde por cada mudança que vai para produção, não importa quem digitou".
O post admite o que falta: disjuntores que apertem a aprovação quando os índices de reversão e incidente se mexem. Os engenheiros querem isso antes de ampliar o merge sem pessoa.
O que isso muda no seu PR
Três recomendações do post mexem direto no PR:
- Níveis de risco por escrito, definidos pela mudança e não pelo autor. Comece rígido e afrouxe com evidência.
- Um REVIEW.md curto, dos donos do código, para os comentários de revisão que se repetem: como é uma falha ali, o que pular, arquivo e linha como evidência.
- CI obrigatório e "Testes", "Risco" e "Como reverter" no modelo de PR. O agente pode preencher; quem pediu a mudança assina.
Onde a regra da Ithaca difere
Nos próprios repositórios, a Anthropic deixa mudanças de risco baixo, de autores de confiança, entrarem sem aprovação humana. Na plataforma de desenvolvimento agentic da Ithaca, pessoas do time do cliente leem o código que entra em produção, seja qual for o risco; pelo nosso guia de governança de IA no desenvolvimento, o que varia com a criticidade é a profundidade da revisão. Cada sessão dos agentes de código fica registrada, com pedido, passos, modelo, custo, resultado e autoria (o que registrar em cada sessão). Supervisão humana e rastreabilidade são a regra da Ithaca no nível 4 de autonomia, em que a plataforma opera.
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Perguntas frequentes
A IA escreve mesmo 90% do código do Claude Code?
É o que a Anthropic afirma no post de 15 de outubro de 2026: cerca de 90%. O dado é declarado pela empresa; o post não detalha como foi medido.
A Anthropic deixou de revisar código?
Não. Segundo o post, a revisão virou camadas, em grande parte automáticas, e a aprovação humana depende do risco: nenhuma obrigatória no nível baixo, para autores de confiança; uma ou duas pessoas nos níveis médio e alto.
O que é um REVIEW.md?
Um arquivo escrito pelos donos do código que diz ao revisor automático o que importa naquela parte do sistema. Segundo o post, os bons são curtos e pedem arquivo e linha como evidência.
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Fontes
- Addy Osmani, Morgan Westlee Lunt e Qing Wang. How the Claude Code team does code review. claude.dev, blog de desenvolvedores da Anthropic, 15 out. 2026. Relato da própria empresa.
- Discussão no Hacker News, 16 out. 2026.

